“O melhor do abraço é o charme de fazer com que a eternidade caiba em segundos. A mágica de possibilitar que duas pessoas visitem o céu no mesmo instante."
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sábado, 25 de junho de 2011

Era ela, ela mesma e isso bastava.

          Em um dia como outros, quando não se quer nem pensar em levantar da cama pela visita da querida gripe, resolvi ir ao médico para não dar à ela a mínima chance de ficar comigo por muito mais tempo. Chegando lá, além das dores no corpo, de cabeça e congestão nasal ainda fiquei muito contente ao ver que tinham muitas pessoas assim como eu, ou seja, estava lotado. Respirei, contei até dez e me sentei esperando o atendimento. Ao longo dos minutos de espera, resolvi ir ao banheiro dar uma lavada no rosto.
          Ao entrar, deparei- me com uma senhora que, após alguns segundos, olhou para mim e começou a puxar conversa. Olhei bem para ela e fiquei feliz ao ver como ela agia, falava, me contava da sua rotina de trabalho na limpeza do hospital. Ela sorria, resmungava pela conduta de algumas pessoas e torcia o pano de limpeza.Aquela mulher nunca havia me visto e me contava sobre a sua vida, sobre os seus problemas, como se fôssemos amigas de infância. Era simples, humilde, forte, humana. Não era daquelas pessoas que gostam de erguer a ponta de seus generosos narizes e acreditam ser melhor que os demais.Era ela, ela mesma e isso bastava. E ao final de minutos de conversa, despedi-me, vi um sorriso e um "tchau minha filha". Até uma nova mãe eu acabara de ganhar.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

A mudança que a morte traz


É engraçado e triste. Temos inúmeros clichês do tipo: “aproveite a vida”, “viva como se fosse o último dia!”. É realmente muito importante tudo isso, não me entendam mal. O problema de tudo isso, é a falta de prática. Quando nos deparamos com a tão ameaçadora morte, saímos do comodismo. Dizemos que daqui para frente, tudo será diferente. Um novo clichê. Uma mera frase com significado apenas aparente.
Quem nunca perdeu um amigo, ou um parente? Ficamos revoltados, pelo menos no início. Não aceitamos quando a Dona Morte bate na porta de quem amamos sem ao menos nos avisar. Ela chega e rouba um espacinho do nosso coração e sem deixar nem, ao menos, um adeus. Pesa nos ombros, pesa na alma, dói.
Muitas pessoas, da pior forma possível, vivem a vida diferente. Vivem a vida sim. Não, não é redundante. Muitos de nós estamos com vida, mas não estamos realmente vivendo. Nós acabamos nos anulando em prol dos outros, permitimos que o tempo passe e não damos a mínima atenção a isso. Vemos pessoas entrando em nossas vidas, pessoas saindo e nem nos preocupamos onde tudo isso vai chegar.
Quando chega a notícia de uma doença grave e a pessoa se vê numa encruzilhada e consegue avistar seu fim, tudo muda de figura. Quando as pessoas sentem a morte se aproximar, elas vivem. Como é irônico tudo isso, ter sentir estar perto do fim para valorizar mais a própria vida. Muitos largam toda a parte burocrática de suas vidas, jogam tudo para o alto e só querem descobrir o significado da f-e-l-i-c-i-d-a-d-e.
E, por que esperar tanto tempo para descobrir esse significado? Vamos nos libertar de tudo o que nos impede de viver por completo, de ser completo. Vamos buscar mais tempo de vida, em vez de esperar a morte chegar perto para aproveitá-la como se deve.

|Beatriz Amorim|